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Indústria de games: um mercado em grande ascensão

A indústria dos games é uma das que mais movimenta o mercado de trabalho atual. As oportunidades de emprego crescem no Brasil e no mundo e os salários atrativos servem de incentivo para novos profissionais.

Conversamos com Caio Prates, Game Designer da Aquiris e mentor do Curso de Game Design da Mentorama. Ele compartilhou sua trajetória nessa indústria, dicas para quem está começando e as principais tendências de mercado no ramo de jogos.

Quer saber mais? Leia a entrevista exclusiva abaixo:

Nos conte um pouco sobre sua trajetória profissional. 

Me formei em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Viçosa. Atuei por mais de 10 anos como arquiteto e urbanista, com projetos nos setores de design de interiores, empreendimentos imobiliários e urbanismo. 

Tive a oportunidade de ser agraciado com alguns prêmios de design e inovação, dentre eles o prêmio de Novo Talento do Design 2015, durante o Miami Art Basel.

Fui um dos arquitetos responsáveis pelo projeto da nova cidade e das novas moradias de Bento Rodrigues (que foi totalmente destruída pelo rompimento da barragem do Fundão em 2015).

Também atuei nas áreas de direção de arte e filmografia. Trabalhei na minha transição para a área de games e hoje atuo como Senior Level Designer na Aquiris Game Studio.

Quais as suas dicas para quem está começando a trilhar uma carreira em games?

É muito importante entender todas as áreas de atuação no mundo dos games, pois elas oferecem diferentes oportunidades e também exigem qualificações específicas.

A pessoa deve buscar conhecer as diversas frentes de atuação, como programação, game design, concept art, modelagem 3D, tech art, entre outras. 

Uma vez decidido a área em que ela quer atuar, o foco de estudos e produção de portfólio poderá ser direcionado de forma mais assertiva.

Outra dica importante é que a pessoa estude sobre a indústria de games, conhecendo as empresas que atuam no setor -não necessariamente são empresas que produzem games diretamente, mas podem ser empresas outsourcing, por exemplo.

E ficar atento às oportunidades do mercado. Um profissional bem preparado e que conhece a indústria consegue identificar e se destacar com muito mais facilidade.

Como está o cenário brasileiro para quem quer trabalhar nesse mercado?

Em todo o mundo o mercado de games está à todo vapor e isso não seria diferente no Brasil. De acordo com a Pesquisa Games Brasil 2020 mais de 70% dos brasileiros jogam algum tipo de jogo eletrônico.

Segundo  a consultoria especializada Newzoo, a expectativa é que o setor de games cresça 10% até 2023, superando o faturamento de US$ 200 bilhões anuais. Só no Brasil a receita foi em torno de US$ 2,3 bilhões em 2021. Uma alta de 5% em relação ao ano anterior. Isso deixa o Brasil como líder da américa latina e 12° no ranking mundial.

 Isso já torna o mercado de games mais lucrativo do que o mercado de streaming, música e cinema juntos. Com isso, as empresas brasileiras estão cada vez mais se estruturando para suprir a demanda do mercado, contratando profissionais especializados na área e oferecendo cada vez mais vagas de trabalho. 

Além disso, uma pesquisa com usuários de celular revelou que os brasileiros são os que mais passam tempo à frente do aparelho, junto com os chineses.

Isso demonstra também o potencial de games mobile (que já ocupa 50% de todo o mercado de games mundial). 

Por conta desse “boom”, o mercado brasileiro tem apresentado o surgimento de inúmeros estúdios independentes produzindo jogos de distribuição nacional e internacional, além de continuar consolidando importantes estúdios de reconhecimento global como a Aquiris e a Wildlife.

Quais as carreiras que estão ganhando mais destaque no mercado de jogos no Brasil?

Com a profissionalização do mercado de games no Brasil, cada vez mais as empresas buscam preencher vagas direcionadas a áreas específicas.

Isso é algo que não acontecia no passado, muitas vezes um único profissional supria várias demandas diferentes dentro da produção de um jogo.

Hoje em dia, é comum encontrar muitas vagas relacionadas à Programação, UI/UX, Concept Artists, Quality Analists dentre outras. 

Em resumo, é um mercado em ascensão que oferece vagas nas mais diversas áreas. Não será difícil para um profissional focar em uma disciplina específica e encontrar boas oportunidades no mercado. 

Muitos profissionais migram de outras áreas, buscando uma carreira em games e vêem esse mercado como uma possibilidade de melhores oportunidades. Quais conselhos você daria para a transição de carreira não ser tão estressante?

Planejamento é fundamental. Numa transição de carreira é muito importante você entender onde você se encaixa na indústria e como as suas experiências anteriores podem ser aproveitadas na sua nova jornada. Para isso você precisará dedicar um tempo estudando a área em que pretende atuar. 

Além disso,  a dedicação às novas demandas e o preparo profissional (seja com cursos de especialização, estudos individuais, produzir um bom portfólio focado) são essenciais. 

Outra dica importante é manter contato com pessoas do mercado – redes sociais como Linkedin e Twitter são amplamente utilizadas pelos profissionais da indústria – para aumentar sua rede de contatos, tirar dúvidas sobre a atuação de empresas e profissionais além de claro demonstrar seu interesse e potencial para futuras oportunidades. 

A indústria de games no Brasil está crescendo e com isso inúmeros estúdios de jogos independentes têm surgido. Estes estúdios são importantes portas de entrada no mercado, uma vez que oferecem muitas oportunidades para iniciantes e garantem experiência e material para completar o portfólio. 

Por fim, saiba que mudar de carreira é sempre possível, só exigirá planejamento prévio e dedicação para que você se prepare com o conhecimento necessário e produza um bom portfólio direcionado.

Nos últimos anos, há um aumento no modelo de trabalho freelancer e remoto. Inclusive, muitos profissionais trabalham no Brasil para empresas no exterior. É possível trabalhar com games e adotar esse formato de trabalho? 

A junção de dois fatores muito importantes colaboraram para a transformação do cenário de desenvolvimento de games no Brasil e no mundo. O primeiro foi o aumento vertiginoso de jogadores (e com isso receita) de games. 

Em 2022 teremos em torno de 3 bilhões de jogadores no mundo, isso representa quase metade da população mundial (há 15 anos atrás tínhamos cerca de 200 milhões de jogadores no mundo). 

O segundo foi a pandemia Covid-19 que transformou as relações de trabalho (no mercado nacional e internacional). Devido às restrições causadas por esse momento delicado, as empresas aprenderam a conviver e a produzir com profissionais em modelo de home-office. 

No mundo dos games não poderia ser diferente: as empresas continuaram a produzir conteúdos incríveis mesmo com o novo modelo de trabalho e isso demonstrou o potencial gigante do home office

Com isso, tornou-se muito comum que as empresas de games nacionais e internacionais adotassem o trabalho remoto e, consequentemente, criassem inúmeras novas possibilidades de vagas no Brasil e no exterior, uma vez que o home-office dispensa burocracias de obtenção de visto e trâmites de mudança.

Quais são as principais tendências no mercado de jogos atual? Em que os novos profissionais precisam estar atentos?

Atualmente, estamos presenciando grandes negócios acontecendo no mundo dos games, como a recém anunciada compra da Activision Blizzard pela Microsoft pelo valor de US$70 bilhões.

Isso demonstra o grande potencial desse mercado em crescimentos de valor e números de usuários. Vale lembrar que a Microsoft é detentora da marca Xbox e já oferece um serviço de assinatura de games com uma cartela vasta de títulos, que será completada agora com mais jogos advindos da compra bilionária. 

Além disso, gigantes como Netflix e Amazon começaram a investir em plataformas de streaming de jogos, o que se demonstra uma grande tendência do mundo dos games (algo que já acontece com Apple Arcade e Xbox Cloud).

Outra grande tendência é especialização em criação de jogos mobile, uma vez que o mercado de jogos para celulares e tablets já representam 50% de todo o mercado de games. 

Com o anúncio do Facebook no investimento do desenvolvimento do “Metaverso” também é de se esperar um grande crescimento no mercado de games e atividades 3D voltadas para plataformas de realidade virtual.

Quais as suas principais dicas para construir um portfólio forte e competitivo para conquistar oportunidades profissionais no universo dos games?

Foque seu portfólio na sua área de interesse, desta maneira você conseguirá se destacar de outros profissionais generalistas. 

Uma boa dica para quem está começando na área de games é construir portfólios com base em jogos fictícios.

Você não precisa ter um jogo de verdade para criar personagens e objetos, caso seja uma artista, por exemplo. Ou talvez reimaginar um menu de jogo antigo e transformá-lo em um menu atualizado, caso seja um profissional buscando oportunidades na área de UI/UX. 

Em resumo, crie um portfólio que demonstre o seu potencial em criar novas ideias ou transformar ideias já existentes. Quanto mais focado o seu portfólio estiver, maior a chance de que ele seja notado em uma nova oportunidade de emprego). 

Por exemplo: se você é um concept artist que gosta de desenhar novos personagens, foque seu tempo em esforço em desenhar personagens, sem perder tempo com cenários, objetos, armas, etc. 

Lembre-se que alguém pode estar focando justamente nesses aspectos e irá se destacar mais do que você.

Por fim, tenha certeza de que seu portfólio também conte as histórias e todos os aspectos importantes dos trabalhos apresentados, seja por meio de legendas, croquis do processo, textos explicativos e que ele também introduza um pouco sobre quem você é.

Os trabalhos são importantes, mas os recrutadores também estão interessadas nas pessoas por trás deles.

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