Criatividade como resultado da curiosidade: entrevista com Fabio Caveira - Mentorama

Criatividade como resultado da curiosidade: entrevista com Fabio Caveira

Conversamos com Fabio Caveira, Diretor de Criação brasileiro e que atualmente trabalha em Dubai, sobre o mercado da criatividade no Brasil e no mundo!

Criatividade, uma palavra muito conhecida, cheia de significado e ideias, mas que pode causar pânico! Você já ouviu falar em branco criativo ou já teve algum bug ao tentar fazer alguma tarefa que pedia para você pensar “fora da caixa”? 

Pois é! Isso se chama “tentar acionar a criatividade” ou algo do tipo (na verdade não existe um nome pra isso, mas a gente deu mesmo assim. Percebe-se o esforço da redatora em ser criativa neste texto…).

A verdade é que a criatividade ainda pode assustar muitos profissionais iniciantes, principalmente aqueles que trabalham em áreas pertencentes a esse setor, como Design, Arquitetura, Publicidade e Comunicação no geral.

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Índice

E o mercado da criatividade é GIGANTESCO!

Só no Brasil, o setor é composto por cerca de 52 mil companhias que detêm 87,6% dos negócios e empregam, cada, até 19 funcionários. E não para por aí!

De acordo com a edição de 2019 do Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil, o mercado abriu mais de 24 mil vagas para profissionais criativos, se classificando como a nova economia do século 21: a economia criativa. 

Fórmulas, mágica, gênio da lâmpada [e a lista continua]? Infelizmente nenhuma dessas soluções estão à nossa disposição no momento.

Criatividade como resultado de curiosidade: entrevista com Fabio Caveira - Mentorama
Criatividade como resultado da curiosidade: entrevista com Fabio Caveira (Imagem: Mentorama)

Mas o que podemos fazer para sermos mais criativos? Quais são as técnicas que grandes nomes desse mercado utilizam? E como está o mercado da criatividade hoje?

“Somos chamados para ajudarmos com uma visão diferente e, a partir disso, criarmos algo novo

É assim que o nosso entrevistado do dia, Fabio Caveira, abre o bate papo sobre o tema, compartilhando com a gente a sua visão sobre a área criativa no Brasil e no mundo. 

BIO DO ENTREVISTADO – FABIO CAVEIRA
Fabio se considera "louco por publicidade", e sua carreira o já levou por todo o mundo: 
do Brasil a Portugal, Polônia, Romênia, Jordânia, Catar, China e agora Dubai. Depois 
de trabalhar em redes globais como J. Walter Thompson, Leo Burnett e Y&R, decidiu
migrar para o lado de agência, trabalhando em Shenzhen, na China. Depois de 2 anos, 
juntou-se à  Ogilvy como Diretor Criativo do Grupo, atuando em Dubai.

Algumas marcas que passaram pelas mãos do profissional: Huawe, QNB (Banco Nacional do
Qatar), Kia Motors, Portugal Telecom, Coca-Cola e Petrobras.

Além disso, Fabio é amplamente reconhecido pela indústria, recebendo prêmios e 
indicações como London International Awards, New York Festivals, Ad Stars Asia, Lisbon 
International Advertising Festival, Brazilian Creative Club - CCSP.

Sendo destaque em várias edições do Lürzer's Archive, Fabio também atuou no júri de 
festivais no Brasil, EUA, Coreia do Sul, Portugal e Reino Unido.

www.fabiocaveira.myportfolio.com

#entrevista “Criatividade como resultado da curiosidade”

Boa leitura!

1) Lemos no seu perfil algo inusitado e gostaríamos de começar com isso: por que raios você ainda não experimentou feijoada?

Eu era o típico cara “fresco” quando criança e cresci assim. Não comia várias coisas e tenho que admitir que eu era mega pentelho. Mas foi só sair do Brasil que comecei a experimentar novos pratos e sabores. Hoje, tendo oportunidade, gosto de provar comidas diferentes e exóticas, já comi desde morcego nas Ilhas Seichelles até cérebro de porco na China, mas ainda estou devendo a feijoada.

2) Sendo sua paixão viajar pelo mundo, experimentar novos sabores e conhecer novas culturas, o que mais te impactou pessoalmente e profissionalmente ao longo desses anos?

Pessoalmente foi ver o quão diverso é o mundo e as pessoas, e como é pouco ficar preso a um só lugar. Sei que é um privilégio poder viajar para vários lugares e ainda trabalhar com o que se gosta, mas eu recomendaria a qualquer um que caso tenha a chance de sair do lugar onde está, sair e ir ver o mundo ao vivo, fora das telinhas: saia e faça isso. O mundo é muito grande e as experiências e trocas são o que de melhor pode acontecer.

Profissionalmente foi descobrir que não somos donos da verdade (sim, muitos acreditam que são). Não somos contratados para mudar o entendimento do que é feito em determinado lugar, somos chamados para ajudarmos com uma visão diferente e, a partir daí, criarmos uma coisa nova.

É uma mistureba que pode dar certo ou não, e o quanto mais cedo você perceber que a sua verdade não é a única, você vai conseguir se inserir no seu novo lugar e fazer parte dele.

3) Sobre trabalhar no exterior, você poderia compartilhar conosco algumas dicas sobre como se preparar para buscar uma carreira fora? 

Você primeiramente deve ter em mente para onde gostaria de ir, qual agência, com quem trabalhar, coisas desse tipo, além de estar aberto a ter que, talvez, reaprender tudo. Ninguém liga muito para o que você já fez, e você vai ter que provar tudo de novo.

O inglês, dependendo do país que você for, vai ser primordial, ainda mais se você for redator. Mas não é regra.

Demora, é um processo demorado, tenho um amigo que levou 4 anos até conseguir uma oportunidade e hoje está em Cingapura. Não desista, crie uma rotina para acessar vagas e falar com os recruiters e pessoas que você conheça ou venha a conhecer.

O LinkedIn é uma ótima ferramenta. Lá você consegue fazer uma network interessante, saber sobre o que acontece no mercado em vários lugares e até saber de potenciais vagas.

4) O que é ser criativo, na sua opinião?

É ver o óbvio, mas de forma diferente. É ver diferente algo que todos veem da mesma maneira e achar um jeito inusitado de se contar esse algo. É meio que ser uma esponja também, você é feito das referências que você adquire com o passar dos anos, e acredite: tudo é referência.

5) Agora, aquela pergunta básica sobre a criatividade: como ser mais criativo? Existem meios [fórmulas] para desenvolver a criatividade? E como fugir ou lidar com o branco criativo?

Eu acho que todos somos criativos, mas a maioria vai perdendo o “dom” com o tempo por não exercitá-lo.

O mais próximo que você for da maneira de pensar de uma criança, que testa sempre coisas novas, não tem medo de errar e sempre se diverte ao tentar algo novo é o caminho. Trabalhar com criatividade é e deve ser divertido antes de tudo.

A fórmula é fazer sempre mais e fugir da saída mais fácil. Não existe segredo.

Já o branco criativo sempre vai existir. É tipo a “síndrome do impostor”, você sempre acha que vai chegar um dia que você não vai conseguir resolver um job e vai ser desmascarado…. mas você sempre acaba resolvendo.

6) E como fica a questão da criatividade trabalhando em países tão diferentes? Por exemplo, existe uma “verdade universal” sobre o que é ser criativo globalmente ou isso varia de local para local? Como lidar com esse tipo de situação?

Trabalhar com culturas diferentes é bacana porque você sempre aprende algo novo e acrescenta ao seu repertório (lembra da esponja que falei lá em cima?).

Verdade universal não sei, mas o aspecto cultural influencia muito no seu trabalho. Quando eu trabalhei na China foi difícil usar o humor tão comum a nós, latinos. A cultura oriental é mais sensível e tudo é voltado para verter as pessoas às lágrimas.

De novo, você não pode achar que vai chegar em uma cultura nova e mudar tudo. Não tem como.

Não existe certo e errado, existem maneiras diferentes de se fazer a mesma coisa e aí é que está a graça de se trabalhar com criação: você tentar achar uma maneira de se fazer interessante nesse novo universo.

7) Já sabemos que você é fã de memes, mas o que você acha sobre a facilidade do brasileiro em fazer meme com praticamente tudo? Vamos combinar que os memes brasileiros dão de 0 a 10 nos demais, né?!

O brasileiro tem que ser bem humorado até porque para se viver em um país com as inconstâncias políticas, sociais e econômicas como o Brasil, vira condição primordial para não acabar surtando.

8) Uso de novas tecnologias na indústria da criatividade: como você enxerga essa expansão do TI aliada à comunicação, resultando em projetos criativos cada vez mais tecnológicos e imersivos?

Eu acredito que independente de novas tecnologias e meios que surjam, o que vai determinar o sucesso de uma campanha vai ser sempre o poder da ideia que ela carrega e a pertinência dela com o problema que se pretende resolver.

Hoje você consegue ver muita tecnologia atrelada à campanhas, mas quando você espreme sobra um fiapo de ideia e, com o tempo, a novidade passa e fica um grande nada.

A ideia vem antes de tudo. A tecnologia é aliada e não um fim.

9) Pensando mais no mercado global, qual é o foco do setor criativo hoje, principalmente com o boom de diferentes conteúdos na internet, impulsionado pela pandemia e mais presença online?

O foco vai ser sempre resolver o problema do cliente e ser pertinente ao problema que é apresentado. Eu não comungo muito da ideia de que a publicidade deva “salvar o mundo” ou ter um propósito, como vemos cada vez mais e mais em campanhas por aí. Acho que deve haver um equilíbrio. Se você quer salvar o mundo, resolver as desigualdades que te incomodam seria melhor investir seu tempo trabalhando numa ONG, numa organização política para esse fim e dedicar sua vida a isso.

O nosso negócio é menos salvar o mundo, e mais sobre salvar o negócio do cliente. Nós assumimos a voz do cliente, somos pagos para isso, comunicar e vender algo.

Hoje, as marcas têm que saber se posicionar e ser mais entretenimento, visto que o grande competidor delas não é só o conteúdo do concorrente, mas dos Youtubers, Inluencers, TikTokers, bloggers, bloggers e por aí vai. Elas têm que reaprender a fazer parte da conversa e não interromper a conversa de uma maneira brusca.

10) Como juiz em várias premiações ao redor do mundo, o que você sempre leva em consideração ao julgar determinado projeto?

Eu sempre procuro a pertinência da peça na solução daquele problema a que se propõe e se a solução é criativa, inovadora ou inédita de alguma forma e que me faz falar no final: “PQ*/P, queria ter feito isso!”

11) E, por último, se você pudesse compartilhar algumas dicas para quem está começando agora em áreas criativas, quais seriam?

Primeiro: saiba quem fez o que no passado, os anuários estão aí para isso. Não é só respirar propaganda, mas se você não conhecer os grandes nomes e campanhas de ontem você perderá grandes dicas e não aprenderá com eles.

Está tudo online hoje e é de graça.

Seja apaixonado pelo que você faz: se você não for apaixonado por criatividade de maneira geral e não quiser dedicar grande parte da sua vida a trabalhando, grande parte de suas ideias reprovadas e ainda assim se divertir, você vai sofrer muito.

Não fique se comparando com o seu amigo do lado que está subindo na carreira mais rápido do que você, que está ganhando mais do que você, que ganhou mais prêmios que você. Cada um tem seu tempo.

Foque em fazer um trabalho bom, acima da média. Uma hora sua hora vai chegar, sempre chega!

Muitos desistem pelo caminho pois demanda muita entrega, comprometimento e paixão. É f*/da, mas não existe caminho fácil, por isso, foque mais em sua própria jornada.

 

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