“Migrar para a área de desenvolvimento significa investir num futuro melhor para si”

Confira entrevista feita com Danilo Vitoriano, desenvolvedor de sistemas e sócio do Front In Sampa, o maior evento de desenvolvimento front-end do Brasil!

Danilo Vitoriano tem 40 anos, é professor, comunicólogo, desenvolvedor de sistemas e sócio do Front In Sampa, o maior evento de desenvolvimento de front-end do Brasil! Ele acredita que nunca é tarde para mudar de carreira já que aos 35 anos decidiu cursar sistemas de informação e aos 39 anos iniciou um mestrado em ciências da computação na USP. Confira a entrevista feita com ele:

1) O que te fascinou na área de desenvolvimento a ponto de escolhê-la como profissão?

A oportunidade de criar e construir. Desde pequeno sempre tentei usar a criatividade para inventar meus brinquedos e brincadeiras. Vi na criação de sites e programação de softwares a oportunidade de exercer esta criatividade de construir coisas que tivessem propósito.

2) Em que momento você decidiu se tornar professor?

A primeira lembrança que tenho como professor foi aos 20 e poucos anos. Na época eu vivia como freelancer, e um cliente me indicou para dar aulas aos professores de um colégio espanhol em São Paulo. Eu já dominava o Photoshop, Flash e DreamWeaver, mas não sabia muito de espanhol. 

No final, consegui ensiná-los, e recebi até uma carta de agradecimento escrita por eles mesmos. De lá pra cá dei aulas em graduação, cursos técnicos, mas estava afastado de aulas há um tempo. 

Até que em 2018 vi que eu precisava compartilhar o que eu sabia, e resolvi investir em um mestrado, e esperava que até o fim  do curso estaria apto a assumir novas aulas em uma pós-graduação. As aulas apareceram antes mesmo de eu conseguir passar pra fazer o mestrado, e agora além de professor, voltei a ser aluno, e eu adoro.

3) Quais dicas você daria para quem quer iniciar carreira na área de desenvolvimento?

Primeiro pergunte se você gosta de estudar. Você vai precisar dedicar horas lendo livros, apostilas, assistindo vídeos e fazendo exercícios. Se você acredita que em pouco tempo vai ter sucesso, é possível sim, mas não é tão fácil. Eu demorei anos para ocupar alguns espaços, mas sobrevivi e hoje sinto que tudo valeu a pena, mas demorou pra acontecer. 

Muita coisa ajudou a me desenvolver na área, mas a mais importante foi saber inglês. Brilhante foi a ideia de minha mãe ao pagar um curso de inglês particular aos 12 anos. Até hoje aprendo inglês (tenho 40 anos), mas se não fosse aquele curso, ou os livros que ela me comprava, teria sido muito mais limitado o alcance do meu aprendizado, seja no desenvolvimento, na tecnologia ou nos negócios.

4) Na sua perspectiva, quais as principais habilidades que atualmente as empresas valorizam em profissionais dessa área?

Em geral, as empresas contratam por alguma necessidade técnica. Vão te aplicar provas, testes e fazer uma ou mais entrevistas para ver o seu match com a cultura da empresa e se você sabe mesmo aquilo que diz saber. 

Organizações que vão além disto estão à procura de pessoas com facilidade em se comunicar, aprender e ensinar, mais do que necessariamente saber a linguagem X ou o software Y. Entrevistadoras valorizam se você acompanha eventos, participa de workshops, contribui com algum projeto open-source ou até se é voluntária em alguma ação. 

A cada dia, mais empresas investem em universidades, cursos e treinamentos exclusivos para quem é sua funcionária, deixando bem claro que é mais fácil e barato treinarem pessoas do que contratar gente cheia de habilidades técnicas, mas com pouca iniciativa e empatia pelos demais. O termo soft-skill, que define estas habilidades mais emocionais, atualmente, é tão ou mais valorizado do que as habilidades técnicas.

5) Onde você encontra inspiração para estar constantemente inovando?

São tantas coisas! As pessoas me inspiram muito, sejam elas alunas, professoras, artistas ou criadoras de conteúdo. Sempre fico ligado no que é tendência, e isso vai desde o funk, a balada do momento, a trend do TikTok ou os ídolos do reality show que viralizaram. 

Não gosto de fechar a porta pra nada, e o que me oferecem eu experimento, e tento entender como aquilo tornou-se popular. Acho que esta é a atitude mais importante quando se quer inovar: não tenha preconceito com nada! Atualmente, minha maior inspiração vem das redes sociais. 

Eu adoro conhecer novos talentos, pessoas que estão criando conteúdo de uma forma diferente, ou que promovem alguma ação de transformação social, ou ainda, que desenvolvem produtos e empresas inovadoras, relevantes e com propósito. Antes da pandemia, eu gostava muito de viajar, conhecer novas culturas, museus, parques, galerias. Tudo que reúne repertório na nossa jornada da vida aumenta sua bagagem e te dá mais ferramentas para inovar.

6) De onde surgiu a ideia do Front In Sampa?

Há 10 anos, duas desenvolvedoras de São Paulo sentiram falta de um lugar para falar de tecnologias front end. Então pensaram: “e se fechássemos uma balada na famosa Rua Augusta, em um sábado durante o dia, já que a maioria fica fechada? Colocaríamos umas cadeiras e convidariam pessoas da área para palestrar… Quem sabe alguém aparece?” E assim nasceu o Front In Sampa (FSP), que cresceu com a comunidade, lotou grandes teatros e agora em 2021 vai reunir toda a Internet para comemorar seus 10 anos de história. Um evento da comunidade, sustentável, diverso, inclusivo e feito para conectar pessoas com muito amor e carinho. 

7) Como você descreveria a experiência de trabalhar no Front In Sampa? 

Eu era apenas um frequentador do evento, mas por sempre estar envolvido com a comunidade, me oferecia voluntariamente para ajudar ou divulgar. De tanto me envolver com a comunidade e com o evento, passei a produzi-lo junto da Keit Oliveira em 2018, e hoje somos sócios. 

O propósito continua o mesmo: levar conteúdo de qualidade e fortalecer a comunidade front end no Brasil, mas não é nada fácil. Keit e eu temos nossos trabalhos como desenvolvedores, e promovemos o Front In Sampa como uma paixão e um gesto de gratidão por tudo que a comunidade nos ofereceu. 

Sabemos que quando as pessoas vêm a um evento como o FSP, sua vida pode ser impactada por ideias inovadoras e um network valioso, o que muda sua relação com a comunidade e com seu trabalho pro resto da vida. Foi assim que aconteceu comigo, com a Keit e com milhares de outras devs. 

E é por isso que a gente continua fazendo isso, porque se vocês imaginarem o trabalho que dá botar um evento de pé para centenas de pessoas, lidando com patrocinadores, palestrantes, venda de ingresso e uma dezena de outras coisas envolvidas, acho que pouca gente encararia este desafio. Tem que amar muito!

8) Quais são suas perspectivas de futuro para o Front In Sampa? 

Chegamos aos 10 anos de evento! Isso é incrível! Há 10 anos atrás eu nem sabia que existia a palavra front end. Hoje, mais de 50 empresas patrocinaram o FSP, temos 14.000 pessoas nas redes sociais e mais de 7.000 já acompanharam nossas edições. 

Estamos com parcerias incríveis este ano, e temos planos de expandir nosso conteúdo através de parcerias com plataformas educacionais, outras comunidades e criadores de conteúdo. Quando a pandemia passar, voltaremos com as edições presenciais e temos planos de percorrer o Brasil com eventos regionais e até sobre outros temas além do front end.

9) Qual conselho você daria para quem quer migrar de profissão e apostar na área de desenvolvimento? 

Muita gente vê na tecnologia, e principalmente na área de desenvolvimento, uma opção para ter uma carreira estável, bons salários e oportunidades quase infindáveis. Em um momento onde muitos empregos sumiram, fazer uma transição de carreira para uma área como o desenvolvimento web e de aplicações é investir num futuro melhor para si e até como sociedade. 

Milhares de progressos podem ser feitos através da tecnologia, que hoje permeia quase todas as nossas relações, e a área de desenvolvimento acaba atraindo muita gente pela variedade de conteúdo disponível e pelas milhares de vagas abertas. Além do que, na minha opinião, fazer sites e aplicativos é muito divertido! 

Quando as pessoas aprendem pela primeira vez algumas linhas de HTML, CSS ou JavaScript, é como se um portal se abrisse e você tem vontade de aprender mais para criar ainda mais. Alguns lugares já ensinam programação desde a infância, visto que é uma habilidade atualmente tão importante quanto ler, escrever ou criar algo artístico. 

Ah! E mais um detalhe: não tem idade pra fazer esta transição! Eu me formei em Propaganda e me especializei em Planejamento e Cinema! Só aos 35 anos resolvi cursar uma faculdade de sistemas de informação e aos 39 anos entrei em um mestrado de ciências da computação na USP. Imagina se eu tivesse colocado a idade como barreira para fazer uma transição de carreira? Eu estaria lascado! XD

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Danilo Vitoriano
Danilo Vitoriano
5 meses atrás

Muito obrigado por poder falar disso! Espero que a minha experiência inspire outras pessoas a entrar ou continuar nesta área! Parabéns pelo trabalho Mentorama!