“Um portfólio sólido é aquele que possui a personalidade do profissional, ou seja, seu pensamento”

Conversamos com Francisco Zanetti, Head de Digital na Hogarth Worldwide Brazil, sobre os projetos de conclusão de curso de Game Design dos alunos da Mentorama. Confira!

A Hogarth é uma empresa londrina líder global em produção criativa. Presente no Brasil desde 2016, com um time de 190 profissionais espalhados por todo país, a Hogarth se espalhou pelo mundo todo atendendo clientes globais, regionais e locais, sob a ótica do uso de dados e das tecnologias para a criação de conteúdos únicos, multiplataforma, seja nas mídias digitais ou tradicionais.

Em outubro, Hogarth fez parte do time que avaliou o Projeto de Conclusão de Curso dos alunos de Game Design da Mentorama. Confira este bate-papo com Francisco Zanetti, Head de Digital na Hogarth, e descubra como pensa o mercado!

Conta um pouco sobre a sua trajetória profissional?

Usuário de computador desde os 4 anos, tendo a internet como “casa” desde 1995, ingressei em um curso técnico de desenvolvimento de sistemas em 2000, aprendendo sobretudo sobre lógica de programação. Ao perceber que na tecnologia faltava a camada anterior, de como as coisas eram desenhadas, ingressei na graduação de Design Gráfico, já focando nas jornadas digitais.

Isso me fez entender o processo de ponta a ponta. Pela inquietude do meu perfil e visão multidisciplinar, fiz um MBa em Gerenciamento de Projetos e depois em Gestão Estratégica em Serviços, mas estar cada vez mais conectado ao que o mercado pode oferecer de soluções inovadoras a problemas simples e complexos.

Na minha carreira, atuei como designer de interface na agência de publicidade Incomum, de Pelotas/RS, na multinacional Conrad Caine da Alemanha como motion designer (hoje parte da Wunderman Tompson), na W3haus, por 9 anos, por fim como Diretor de Operações e Produção, onde pude atuar com clientes de grande magnitude no mercado nacional como O Boticário, Mondelez e Reckitt Benckiser, e mais recentemente na Hogarth Worldwide, já há quase 3 anos, liderando o Digital da empresa no Brasil, com mais de 90 profissionais no guarda-chuva.

Além disso, sou professor e palestrante de temáticas como Gestão de Projetos, Transformação de Negócios e Inovação aplicada à Comunicação. Como curiosidade, em abril de 2000, tive uma peça de mídia digital sendo destaque na apresentação do lançamento do iPad pelas mãos do Steve Jobs, enquanto ele navegava por um site americano de notícias. Momento simples, mas importante para perceber que meu trabalho tinha relevância, me incentivando a seguir investindo na minha carreira. 

Quais são as principais hard skills valorizadas pelo mercado de trabalho?

No nosso ponto de vista o mercado está cada vez mais esperando profissionais com raciocínio analítico, aplicando isso na conexão com uso de dados e conhecimento de tecnologias, independente da função. Isso atrelado ao domínio da língua inglesa para estar habilitado a se conectar com instituições e empresas, e principalmente experiências globais.  

E as soft skills?

Estamos cada vez mais caminhando para as vagas que possuem exigências maiores nas habilidades comportamentais e quem estiver mais bem preparado sobressairá dos demais candidatos e profissionais. Com a velocidade com a qual o mercado está se transformando, profissionais precisam desenvolver a capacidade de aprender novas habilidades, fazendo nexos entre conhecimento adquirido, clientes, negócios e entregas – universo nexialista, sendo um mix entre o especialista e o generalista.

Citamos as habilidades em alta até 2025:

  1. Pensamento analítico e inovação;
  2. Aprendizagem ativa e estratégias de aprendizado;
  3. Resolução de problemas;
  4. Pensamento crítico;
  5. Criatividade;
  6. Liderança, conexões e networking;
  7. Uso, monitoramento e controle de tecnologias;
  8. Programação;
  9. Resiliência, tolerância ao estresse e flexibilidade;
  10. Raciocínio lógico;
  11. Inteligência emocional;
  12. Experiência do usuário.
O que é necessário para criar um projeto de destaque?

Responder a um problema com uma solução criativa e que agregue valor ao usuário. Não necessariamente a solução criativa está em um departamento de criação, mas nas conexões feitas para propor algo diferenciado ao que o mercado já oferece. Isso pode ser o estilo de gestão de projetos no modelo híbrido, o insight no uso de dados para melhorias de performance de campanhas ou de uma operação, a descoberta da conexão entre o mundo digital e offline através de tecnologias, e assim por diante.

Quais são os principais erros cometidos pelos iniciantes ao realizarem os seus primeiros projetos?

Quase todos eles cometerem o mesmo erro quanto a entender o público alvo. A proposta não era exatamente um jogo e sim uma “plataforma gameficada”, e notamos que algumas das propostas estavam ou muito “corporativas” ou esperavam que o usuário fosse alguém já bem intimo a jogos digitais, por exemplo.

O que mais surpreendeu você ao analisar os projetos de conclusão de curso de Game Design dos alunos da Mentorama?

Foi incrível ver como as propostas foram diferentes entre elas e principalmente muito além do que nós tínhamos pensado aqui na Hogarth. A criatividade dos alunos com certeza nos surpreendeu. Cada proposta trouxe pontos muito interessantes e a nossa vontade no final foi de escolher um projeto que seria uma fusão das apresentações.

É possível migrar para a áreas do mercado digital em qualquer momento da carreira?

Sim. Na realidade sem nem percebermos tudo já é digital, partindo ou se transformando em digital em algum momento. Dessa forma a tendência ao natural é que todos os profissionais tenham conhecimento da cultura digital, de múltiplos canais, jornadas e possibilidades. Quem se adiantar na visão híbrida – conexão entre físico e digital, estará aderente ao que o mercado espera nos próximos anos.

Ao migrar de outras áreas de atuação no mercado, é possível carregar essa bagagem para a nova profissão?

Não só é possível, como é essencial. Cada vez mais as experiências dos profissionais agregam de maneira análoga ao que se faz. Hoje ao contratarmos um profissionais sênior não avaliamos apenas experiência e conhecimento, mas também a maturidade que sem dúvidas passa por diferentes funções e habilidades adquiridas ao longo da carreira.

Quais conselhos você daria para os profissionais que estão iniciando a sua trajetória no mercado de digital?

Um bom ponto de partida é primeiro, entender o que a sua atividade atual ou aquela vaga para a qual você quer se candidatar demanda mais; Logo, entender quais habilidades você já possui e que, portanto, seriam mais facilmente aprimoradas. Com estes insights um Plano de desenvolvimento pode ser seu grande aliado.

A curiosidade e o pensar fora da caixa, achando diferentes formas de fazer sempre estimulam a criatividade, o raciocínio e a inovação. Uma dica legal é ter uma referência, uma liderança inspiradora, um buddy, um mentor que tenha a experiência na habilidade ou assunto que você queira aprender.

Quais dicas você daria para a criação de um portfólio sólido? O formato do portfólio faz diferença?

Um portfólio sólido é aquele que possui a personalidade do profissional, ou seja, seu pensamento, seu estilo, suas experiências e não apenas as peças apresentadas. Isso faz toda diferença para um recrutador, já que o soft skill é mais importante no momento da contratação. E claro, formatos diferenciados são importantes pois em uma apresentação tudo fala sobre você, não apenas o conteúdo escrito e visual.

Escrevemos sobre conceitos e notícias do mundo do design, programação, desenvolvimento de jogos, educação, desenvolvimento pessoal, carreira e negócios.
Inscreva-se em nosso blog

Não te mandaremos spam!
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments