Mentorama entrevista: Eva Mota de Design de Interiores

Mentorama entrevista: Eva Mota de Design de Interiores

Confira entrevista feita com Eva Mota, jornalista e apresentadora do programa "Você Renova" no Discovery Home & Health Brasil.

Natural de Jequié, no Interior da Bahia, Eva Mota cursou e se formou em jornalismo em Vitória da Conquista. Durante quase 9 anos, trabalhou como jornalista sendo apresentadora e repórter de rua. Hoje ela é apresentadora no Discovery Home & Health Brasil onde comanda o programa renovação e decoração Você Renova, que está indo para a segunda temporada!

A mudança de área aconteceu quando Eva começou a se questionar sobre a forma que a comunicação era feita, não representando o que acreditava. Mas engana-se quem pensa que Jornalismo e Design de Interiores não conversam. Eva destaca que a habilidade de escutar, desenvolvida com a comunicação, ajuda muito no cotidiano da profissão de Designer de Interiores.

A área surgiu como um hobbie até se tornar o seu mundo. Eva destaca que durante um tempo dividiu a comunicação com a nova carreira, até se estabelecer e aconselha: “Vivam o Design de Interiores antes de começar o curso”. Ela complementa afirmando que acompanhar projetos é uma boa opção e ajuda bastante no começo da carreira.

Além de apresentadora, a Eva comanda um projeto que tem como objetivo introduzir mulheres na marcenaria. Através de oficinas, Eva transmite o seu conhecimento, onde as alunas desenvolvem um projeto de marcenaria com as próprias mãos.

A Eva Mota já participou de uma live com a gente, confira em nosso IGTV no instagram!

Confira a entrevista:

Em 2015 você morou por 6 meses em Paris e conheceu diversos profissionais da marcenaria. Como você descreveria esse tempo na França?

Eva: O tempo na França foi engrandecedor. Aquela mistura de influências e culturas foi uma experiência riquíssima e na verdade lá em Paris eu tive muito contato com o empreendedorismo, com a forma de transformar os seus talentos e as suas habilidades em negócio. 

Fiz cursos rápidos, aprendi muitas coisas de diversas áreas, mas tudo com pessoas que eram empreendedoras. Foi um período de evolução pessoal em que eu entendi que eu tinha me transformado em uma empreendedora, que eu ia trabalhar com a minha criatividade e que quando eu voltasse estaria com a pilha toda, e foi isso o que aconteceu.

Você é baiana, mas atualmente mora em São Paulo. Como foi a adaptação para morar na capital paulista? Você sente saudade do seu estado?

Eva: É uma mudança muito brusca, mas não me assusta porque eu já conhecia São Paulo. O caminho já tinha sido percorrido, as minhas tias vieram na década de 80 e enfrentaram muito mais coisas. 

Uma delas é mulher do interior, nordestina, gay, gorda, com todas as características e a gente sabe como existem preconceitos em relação a isso. E ela foi a minha inspiração porque é uma mulher formada em farmácia, montou a farmácia dela e empreende aqui com uma grande trajetória. Eu tinha esses exemplos para que eu pudesse fazer isso. 

A adaptação ainda existe, por vezes ou outra eu vejo me caindo em uma fossa muito grande e eu ainda digo que estou me adaptando. Morro de saudade da minha terra e estou dando tempo ao tempo.

Onde você encontra inspiração para estar constantemente inovando?

Eva: Hoje eu costumo dizer que inspiração eu encontro em tudo que não seja Design de Interiores. No início, eu buscava referências em muito material gringo. Mas chega uma hora que isso satura e eu comecei a fazer o movimento contrário. Então quando eu precisava me inspirar eu ia estudar uma determinada festa, um determinado ritmo. Hoje eu tenho feito um estudo mais aprofundado nas minhas raízes africanas.

Você comanda o projeto de oficinas de introdução à marcenaria artesanal para mulheres. Como surgiu a ideia do projeto?

Eva: As oficinas surgiram em Vitória da Conquista como uma necessidade minha de estudo. Eu nunca pensei em dar aula. Eu queria aprender marcenaria e oferecer produtos. Mas na Bahia não tinham esses cursos, então eu tinha que fazer uma peregrinação para aprender. Como sempre tinham amigas pedindo para ensinar, eu reuni o pouco que eu tenho e compartilhei com quem não tinha nada.

Quantas mulheres já participaram do projeto de introdução à marcenaria?

Eva: Até a quarta oficina eu tinha um bocado de material parado porque não saía, não tinha inscrição suficiente. Mas depois começou a dar certo, fechando turmas no interior, depois em Salvador, onde fazia maratonas de oficinas. Quando vim para São Paulo consegui fechar turmas para as oficinas. Já são 3 anos de projeto e se aproximando de mil mulheres introduzidas na marcenaria.

Recentemente você comandou o programa Você Renova no Discovery Home & Health Brasil. Como surgiu essa possibilidade? 

Eva: Eu estava fora da televisão havia 7 anos e todo mundo sempre falava ‘por que você não faz canal no YouTube?’ e eu não gente, televisão não quero mais, quero fazer da forma que eu faço aqui no Instagram, é tranquilo e rápido, mas montar canal, editar vídeo não quero não. Mas sempre gerava esse conteúdo na internet sobre o que eu fazia, muito mais como um diário que uma influencer. 

Era ‘Gente, fiz isso aqui. Se eu fizer, acho que todo mundo pode fazer’. E foi assim que uma diretora me viu e mandou mensagem pelo Instagram e eu não tinha visto. Aí ela enviou um e-mail marcando um horário para  a gente se falar. Eu achava que eu ia fazer uma participação sobre a oficina, eu perguntei ‘você quer que eu faça o que?’ e ela ‘a gente quer que você apresente’ eu comecei a chorar! E foi assim que nasceu o Você Renova. 

A TV está fazendo um esforço porque a representatividade é muito importante ter outras caras, de outros sotaques, porque o país é gigantesco. Eu sou a primeira mulher negra do Discovery Brasil a apresentar um programa e fico muito feliz com isso.

O que a Eva gosta de fazer no tempo livre?

Eva: Tempo livre eu vim aprender a ter faz pouco tempo. Quando eu comecei a empreender achei, erroneamente, que quanto mais eu trabalhasse, mais o meu empreendimento ia dar certo. Ai essa conta não fechava. Eu não tinha qualidade de vida e acabei adoecendo. Eu gosto de ter uma vida pessoal bem pacífica e pacata porque o meu ritmo de trabalho é um ritmo avassalador. 

A minha hora livre é para o meu descanso e o meu descanso é lendo, cuidando dos meus gatos, amo cultivar as minhas plantas, tocando o meu violãozinho. Amo a música e as leituras são o que me dão base. 

Você gostaria de mandar algum recado para todas as mulheres que estão lendo essa entrevista?

Eva: O recado para as meninas é: mulheres, não tenham medo. Não tenham medo de buscar as coisas que vocês querem muito. É isso que eu penso sempre, a gente já sentiu muito medo, já sentiu muita revolta, muita resistência, então vamos buscar a nossa autonomia, a nossa liberdade, a nossa independência sem precisar ficar dependendo o todo tempo das pessoas. É o meu sonho que cada vez mais mulheres busquem a forma delas de serem mais autônomas, livres e independentes.

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